A arte e a técnica de A Bela e a Fera


 

“Um conto tão antigo quanto o tempo.”

 

Depois do sucesso de A Branca de Neve e os Sete Anões em 1937, Walt Disney buscava histórias para transformar em longa metragens. Em sua busca encontrou um conto francês de 1740 que contava a história de uma bela jovem, uma fera amaldiçoada e o amor entre os dois. Por duas vezes os estúdios Disney tentaram transformar A Bela e a Fera em longa metragem, mas acabaram desistindo no processo. Somente em meados dos anos 1980 o projeto realmente tomou forma e começou a se concretizar.
Em 1991, depois de quase 4 anos de produção, chegou aos cinemas A Bela e a Fera, um clássico que além de conter toda a magia Disney dos contos de fada, com personagens cativantes, músicas memoráveis, lição de moral e final feliz, elevou as técnicas de animação introduzindo o CGI junto com a tradicional ilustração a mão.
Foi o primeiro longa animado a receber uma indicação ao Oscar de melhor filme, fato que só foi repetido em 2010 por Up – Altas Aventuras.

 

CGI e Animação 2D

 

A Bela e a Fera representa um dos maiores passos da Disney em inovação tecnológica ao introduzir o CGI, animação por computador, juntamente com as técnicas clássicas. Podemos notar isso nitidamente na sequência da valsa no salão. Enquanto os personagens são desenhados e animados à mão pelos habilidosos artistas da Disney, todo o ambiente é construído em computador dando mais profundidade à cena e permitindo movimentações no plano que nos dão a nítida impressão de que há uma câmera seguindo os personagens. Nunca antes uma animação tivera tanta liberdade de movimento no plano e pudera ser pensada tal qual uma cena de filme live action. Os movimentos de câmera ajudam a compor a sequência e passar todo o sentimento deste importante trecho do filme.
O salão de A Bela e a Fera foi o primeiro ambiente colorido gerado por computador em uma animação e foi renderizado por um software produzido por uma desconhecida empresa da época, a Pixar.

 

Personagens Cativantes

 

A magia dos filmes Disney é famosa. O estúdio possui um repertório de princesas que mantém-se presente no imaginário das crianças através de gerações, mas em A Bela e a Fera temos um tempero especial quando se trata de personagens.
Bela não é a típica princesa em perigo que sonha com o príncipe encantado. Ela é uma mulher forte e, de certa forma, a frente de sua época. Dentre as princesas Disney talvez ela esteja entre as que mais trazem a representatividade feminina e a força da mulher a tona. Isso é acentuado pelo vilão Gaston, um homem fisicamente belo, porém desprezível e machista que quer casar-se com Bela e torná-la uma dona de casa que só fique cuidando dele e dos filhos sem direito a um pensamento próprio. Fera, por outro lado, é um monstro por fora que guarda um grande coração e é capaz de tratar a Bela como uma igual. A personagem foi criada pelo talentoso Glen Keane, conceituado animador dos estúdios Disney. A fisionomia da Fera é uma mistura de leão, gorila, javali, búfalo, lobo e urso, mas Keane buscou dar uma personalidade humana para seu personagem através do design e animação dos olhos.

 

Um clássico que transcende gerações!

 

A Bela e a Fera foi um marco da animação em seu lançamento e até hoje continua encantando tanto pela parte técnica quanto pelo filme emocionante que é. Não a toa foi transportada para uma super produção live action que, apesar de tudo, dificilmente será tão inovadora quanto a obra em que se baseia.

 

por Éric Matheus, Coordenador de Finalização e Motion Designer da Deeper Produções

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